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17.12.25

Todas as árvores são guerreiras...

E vivem uma luta constante para obter recursos. 

Como pode? Parada, no mesmo lugar, vindo de uma simples semente, caroço, rizoma?

Como podem as árvores ficarem tão grandes? 

E as árvores urbanas? 

Muitas vezes solitárias, elas enfrentam várias adversidades. 

Então o humano vem, a mutila, a mata, impede que ela tenha descendência, com seus cimentos, serras e machados. 

Pelo motivo torpe de se enroscar nos fios que os próprio humanos colocaram, a podam. 

É poda.

15.9.15

O que aprendi sobre aquilo...

Hoje fazem cinco anos que perdi a virgindade. 

Eu aprendi algumas coisas nesse tempo. Sim, foi aos 22 anos, e isso não é nenhuma vergonha. Sou homem, heterossexual, urbano e esperei pelo momento certo, a pressa é tão desnecessária. Foi um momento lindo, de muito amor entre ambos, com muito respeito e afinidade.

Aprendi também que o Eu Resolvi Esperar funciona, mas apenas se o casal se tornar cúmplice e forem curiosos um com o outro. Sexo se aprende fazendo. E uma das maiores fontes de crise e divórcio no casamento, nos anos iniciais, é falta de entrosamento na cama. Tem que ser curioso e buscar conhecer o próprio corpo e o corpo do marido ou da esposa, sempre com muito respeito.

Aprendi que as pessoas podem ser cruéis com o nerd, com o aleijado, com a esquelética e com a gorda, mas que no fim, todos são lindos e desejados, e é possível sim ser feliz no amor e no sexo, independente da sua aparência estar fora dos padrões atuais de beleza (como 99% dos seres humanos). 

Aprendi que acima de tudo, o respeito é fundamental. E não só respeito com o outro, mas respeito consigo mesmo. Uso de preservativo é obrigatório, principalmente quando não se conhece a pessoa muito bem. Inclusive no sexo oral. Dei muita sorte, mas conheci pessoas que não deram tanta sorte assim... Uma pena, pessoas lindas, que diziam "isso nunca vai acontecer comigo" ficando doentes. 

Aprendi que a quantidade é importante, mas não tanto quanto a qualidade.

Aprendi que no fim das contas, o amor é o ingrediente secreto, sem ele, o sexo se restringe a um "risquinho na frente" e/ou um "furinho atrás", sem sabor, é como se está com sede, e se bebe água do mar. Quanto mais se bebe, mais sede se tem. 

Aprendi, por fim, que o sexo não é pecado, como muitos pensam, mas sim a celebração da vida. A partir dele as grandes obras foram realizadas e os grandes nomes da humanidade foram concebidos. 

Então, que celebremos a vida!

4.11.13

A vida..

Chego em casa, pego roupas limpas no guarda roupa, dispo-me e ligo o chuveiro elétrico numa temperatura adequada. Tomo um banho que limpa o corpo e o torna cheiroso. Visto a roupa limpa e guardo a roupa suja num cesto. Vou à cozinha, abro um pacote de sucrilhos coloco num  copo, adiciono leite em pó e água, e misturo até obter o ponto ideal. Cereais levemente crocantes e adocicados. Essa é a refeição da noite, e eu olho o armário e a geladeira para ver o que falta para comprar e planejo comprar o que falta no dia seguinte. O valor do que vou comprar não representa 10% do valor que recebo mensalmente.

Enquanto isso, a menos de um quilômetro daqui, o jovem Kauã, de cerca de 28 anos (não muito mais velho do que eu), está procurando um carro para guardar. As roupas são as mesmas há dias, e estão imundas, assim como seu corpo. Ele sabe que não vai comer nada nessa noite, e a sua próxima refeição irá depender da caridade de alguém que ele "pescar" na rua.. Ou possivelmente num restaurante popular. Esse jovem errou desastrosamente, e hoje vive um dia de cada vez, até prescrever sua pena. Fugido, teme retornar ao seu estado e ser torturado e possivelmente morto por seus antigos inimigos. Assim como ele, há inúmeros homens e mulheres passando pela mesma situação.

Ontem passei duas horas com esse rapaz. Eu fui "pescado", e levei ele pra almoçar. Não sei como, mas entramos no shopping e fomos almoçar na Parmê. Era uma cena interessante, eu andando de chapéu e chinelos com um jovem todo sujo do meu lado, pra cima e pra baixo.. O encontro entre a minha classe social e a dele me fez pensar sobre muitas coisas, e por isso escrevo esse texto. Em primeiro lugar, me chamou a atenção ele ver tudo como se não visse há muito tempo. Ver as novas tecnologias tão de perto, tecnologias nunca antes vistas,  e traçar planos de furto, e que certamente seriam impedidos pela segurança. Mas acho que ele só tava se gabando.. 

Ele não estava habituado àquele ambiente, e quase jogou seu lixo no chão algumas vezes. Quando passávamos à frente de uma lixeira, ele queria comer o que encontrava por cima.. E as pessoas pareciam ignorar aquele rapaz. Não sei o que pensavam, mas parecia que o viam como qualquer coisa, e não notavam que ele era um morador de rua, alguém fora daquele ambiente. Engraçado como o lugar comum é não notar quem está ali, e apenas ver uma massa de carne se movimentando. Ele notava tudo, a expressão das pessoas, a forma como as pessoas eram prepotentes e como algumas notavam sua condição e ficavam olhando pra ele de cara feia.. 

Outra coisa notável era o incômodo do rapaz naquele ambiente.. Notei que ele queria que acabasse logo aquele encontro, pra que ele pudesse sair dali.. Era difícil pra ele permanecer naquele lugar, pois ali ele não se sentia seguro. Tinha medo de ser expulso pelos seguranças, tinha medo de querer furtar alguma coisa e tinha medo dos olhares maldosos de quem o notava. Tinha medo que eu o convencesse a se entregar às autoridades.. Foi um encontro bem difícil pra ele, e um tanto proveitoso para mim. Pude notar a nossa vida e a maneira que a gente desperdiça coisas valiosas. 

A água que bebemos, a comida que comemos, a roupa limpa que vestimos, a cama confortável que nos deitamos todas as noites, a nossa capacidade de se proteger do frio ou do calor, de acordo com a ocasião. Podemos nos distrair com uma boa música, com um bom filme, com uma peça de teatro.. Temos a possibilidade de encontrar alguém especial para construirmos nossas vidas, mas.. O que espera um rapaz fugido, fora do seu estado, sem documentos, e que mora na rua? Que vivências ele estará passando nesse minuto? Que vivências o aguardam? 

Valorize o que tem. Não quero dizer com isso pra nos apegarmos aos bens materiais, o que inclusive vai contra meus princípios, mas que valorizemos o que temos. Não estou dizendo também que não devamos compartilhar esses bens, dentro de nossas possibilidades, devemos compartilhar o que temos, pois isso é uma lei natural da vida. Vivemos por algum motivo, e pelo que vejo, esse motivo é ser útil. Contribuir para o bem estar social e material do mundo que vivemos, das pessoas que nos cercam. 

Quanto mais nos desprendemos dos nossos velhos valores morais, mais nos aproximamos da paz no coração. "E a paz no coração, no meio das dificuldades da vida, não será felicidade?" Há tanta vida pra viver lá fora.. =).








17.7.12

Direto de direita

Saudade
Saudade é solidão acompanhada,
é quando o amor ainda não foi embora,
mas o amado já…
Saudade é amar um passado que ainda não passou,
é recusar um presente que nos machuca,
é não ver o futuro que nos convida…
Saudade é sentir que existe o que não existe mais…
Saudade é o inferno dos que perderam,
é a dor dos que ficaram para trás,
é o gosto de morte na boca dos que continuam…
Só uma pessoa no mundo deseja sentir saudade:
aquela que nunca amou.
E esse é o maior dos sofrimentos:
não ter por quem sentir saudades,
passar pela vida e não viver.
O maior dos sofrimentos é nunca ter sofrido.

30.12.11

A vida

"A vida é o dever que nós trouxemos para fazer em casa.
Quando se vê, já são seis horas!
Quando se vê, já é sexta-feira...
Quando se vê, já terminou o ano...
Quando se vê, perdemos o amor da nossa vida.
Quando se vê, já passaram-se 50 anos!
Agora é tarde demais para ser reprovado.
Se me fosse dado, um dia, outra oportunidade, eu nem olhava o relógio.
Seguiria sempre em frente e iria jogando, pelo caminho, a casca dourada e inútil das horas.
Desta forma, eu digo:
Não deixe de fazer algo que gosta, devido à falta de tempo,
pois a única falta que terá,
será desse tempo que infelizmente não voltará mais."

Mário Quintana

15.6.10

Apego

Não sou só eu que preciso me desapegar. Então, vai pra todo mundo que tem precisado disso. Anjos, laticínios e outras pessoas prestem atenção.

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Mês passado conheci alguém que se apegou a mim. Finalmente eu descobri o que significa estar do outro lado. Ser o objeto amado, ser alguém por quem outro ser morreria. E foi complicado aceitar que eu não tinha o mesmo amor que essa pessoa tinha comigo. Aceitar que no fim de tudo, se não houver o sim do outro, nossos sonhos utópicos não vão se concretizar. Porque ela não tinha o meu sim. E ela desistiu de mim. 

Imagina você tentar se aproximar sempre de uma pessoa e essa pessoa se afastar de você? Imagina você querer sempre estar perto dessa pessoa que se afasta sempre de você? Querer estar perto, mas saber não ser possível que tal acontecimento se dê? Imagina você sempre estar pensando na pessoa querida e esse pensar atrapalhar seus estudos, suas atividades de um modo geral. Imagina saber, lá no fundo, que no fim das contas estar com determinada pessoa é tudo o que você quer?

Se por acaso você sabe o que significa apenas uma das perguntas acima, não pense que é uma coisa boa o que sente. Esse sentimento é o apego. 

O apego é uma das coisas que mais nos atrelam. Atrelar-se significa estar preso, ou seja, sem liberdade. E olha, ninguém é feliz se não tiver liberdade! Há inúmeras possibilidades nessa vida, e dentro dessas possibilidades há a realização das nossas pretensões. Mas quando tornamos a satisfação das nossas pretensões o ponto máximo de nosso trabalho, uma obsessão, tornamo-nos joguete dos fatos. 

A gente sempre tem a impressão que temos o controle das coisas. O problema é que não temos esse controle. E quando o nosso objeto de desejo nos ignora e sai da nossa vista, qual a sensação? Uma dor indescritível, que só quem amou muito e teve seu carinho se afastando sabe qual dor é essa. Eu já passei por maus bocados por conta desse apego. Quem tiver interesse, leia a segunda postagem desse blog.

O apego é algo realmente triste. Uma vez, Poiel me disse que quando leu minhas postagens, ela chegou a sentir um tanto de pena por mim. Essa pena surgiu por causa da minha tristeza, e essa minha tristeza surgiu por causa do apego. Quanto mais apegado, mais infeliz sem o objeto de apego... Não se apeguem! Amem, mas não se apeguem.

Lembrei de uns versos do Gibran. Acho que ele resume muito bem o que eu quero dizer:
"Nascestes juntos, e juntos ficareis para sempre.
Estareis juntos quando as asas brancas da morte acabarem com os vossos dias.
Ah, estareis juntos mesmo na memória silenciosa de Deus.
Mas que haja espaços na vossa união e que os ventos celestiais possam
dançar entre vós.
Amai-vos um ao outro, mas não façais do amor uma prisão;
Deixai antes que seja um mar ondulante entre as margens das vossas almas.
Enchei a taça um do outro mas não bebais de uma só taça.
Parti o vosso pão ao meio mas não comais do mesmo pão.
Cantai e dançai juntos, mas deixai que cada um de vós fique sozinho.
Como as cordas de uma lira estão sozinhas embora vibrem ao som da mesma
música.
Entregai os vossos corações mas não ao cuidado um do outro.
Pois só a mão da Vida pode conter os vossos corações.
E ficai juntos mas não demasiado juntos:
Pois os pilares do templo estão afastados, e o carvalho e o cipreste não
crescem à sombra um do outro.
"
Então, espero que essa postagem faça bem a todos. =)

24.5.10

Padrões - 3

Eu não quero ter alguém pra namorar simplesmente porque todo mundo namora. Eu não quero ter um carrão porque todo mundo quer ter. Eu não preciso de um salário de cinco dígitos só porque todo mundo quer ter esse salário. Eu não tenho de ser o melhor porque o melhor ganha mais. Eu não preciso de muito pra ser feliz. Não é porque o mundo é cão que eu vou sair latindo.

Assim, eu quero, eu preciso me libertar dos velhos padrões do mundo. Mas lá no fundo, lá na Sombra que o Jung falava, ainda é Barrabás e tudo que ele representa que eu quero. Mas já me cansei de andar com Barrabás, Jezabel ou Balaão... Eu quero mais, eu quero o Cristo! Eu quero a Deus! Eu preciso me libertar imediatamente. Não quero mais viver como o homem-velho. Eu quero ser o homem-novo e tudo o que ele representa.

Esse conflito faz com que, ao lado das rosas do trabalho do bem, existam espinhos de tédio que tendem a crescer e me faz perder o ardor inicial. As dificuldades no caminho, o calvário que é Amar, os outros que nem ao menos se sensibilizam com seu trabalho, tudo isso desanima. Mas o tédio que advém da nossa não-libertação é absurdamente doloroso, quando nós já adquirimos a consciência de que precisamos nos libertar, e não permitimos, devido aos atavismos primitivos e padrões que os outros exigem de nós.

A Joanna (de Ângelis) tem um texto que fala um pouco disso, do qual vou extrair um pouco:
     "O processo de evolução do ser tem sido penoso, alongando-se pelos milênios sob o impositivo da fatalidade que o conduzirá à perfeição. Dos automatismos primevos nas fases iniciais da busca da sensibilidade, passou para os instintos básicos até alcançar a íntelígêncía e a razão, que o projetarão em patamar de maior significado , quando a sua comunicação se fará, mente a mente, adentrando -se, a partir dai; pelos campos vibratórios da intuição. 
     Preservando numa fase a herança das anteriores, o mecanismo de fixação das novas conquistas e superação das anteriores, torna-se um desafio que lhe cumpre vencer. Quanto mais largo foi o estágio no patamar anterior, mais fortes permanecem os atavismos e mais dificeis as adaptações aos valiosos recursos que passa a utilizar. 
     Porque o trânsito no instinto animal foi de demorada aprendizagem, na experiência humana ainda predominam aqueles fatores afligentes que a lógica, o pensamento lúcido e a razão se empenham por substituir. 
     Agir, evitando reagir; pensar antes de atuar; reflexionar como passo inicial para qualquer empreendimento; promover a paz, ao invés de investir na violência constituem os passos decisivos para o comportamento saudável. 
     A herança animal, no entanto, que o acostumara a tomar, a impor-se, a predominar, quando mais/arte, se transformou em conflito psicológico, quando no convívio social inteligente as circunstâncias não facultaram esse procedimento primitivo."
Eu acho que ela tem razão...

16.4.10

Ser um homem

O que significa exatamente ser um homem? Que características fazem com que as pessoas olhem para mim e digam: " - Hmm, ali está um legítimo exemplar de homem."? O que define um homem? Para muitas pessoas, se homem significa ser do sexo masculino. Para outros, homem é, além disso, uma pessoa de cabelos curtos, vestido de calças. que trabalha para sustentar uma família. Um cara sério, ou um cara que bebe cerveja e curte futebol...

Todavia, existem certas qualidades que acredito que definem muito melhor um homem do que calças, cervejas e futebol. Responsabilidade, senso de dever, fidelidade, sabedoria e, acima de tudo, ser um cara que ama da mesma forma que uma criança ama. Assim, não exigirei nada de ninguém. Apenas amarei. E serei fiel, responsável, respeitador, honesto.

2.3.10

Padrões 2

Resolvendo uma pendenga filosófica com um laticínio amigo meu.

O erro é a coisa mais comum do mundo inteiro. Somos imperfeitos, isso é fato, independende da nossa crença, todos sabemos disso. Mas aí é que tá: se um cego esbarra na gente na rua, compreendemos e até ajudamos o cego, mas se alguém que enxerga esbarra na gente, dizemos: vá lá! Tá me vendo não?!

Numa análise mais profunda e figurada, somos todos cegos que tem o direito de esbarrar nos outros. Errar é característica humana, e por errar é que o homem consegue aprender e evoluir.

Um bolo ruim é pretexto pra se melhorar o bolo. Um trabalho mal feito é pretexto para se melhorar o trabalho. O que nos separa do que somos do que queremos ser é a frustração. Então é sempre assim: aspiração, erro, frustração, progresso. Essa é uma das formas da dor operando renovação. Dói errar, porque dói a frutração. E considerando que a maioria de nós somos orgulhosos, não conseguir uma determinada posição, status, é  algo que machuca bastante.

Mas aí é que entra a questão. Quando se fala de produtos eles tem que seguir padrões. Assim, existem as ISOs. ISO 9000, ISO 14000, etc. Quando um produto não está dentro das normas, ele é descartado. Da mesma maneira como se faz com produtos, foram criados padrões e normas de  comportamento. A pessoa que não segue esses padrões é excluída. Isso existe em qualquer cultura, em qualquer sociedade que já foi vista até hoje.

Assim, se eu não bebo eu sou excluído do grupo de pessoas que bebem. Se eu não guardo rancores, eu sou classificado como um bobo, se eu emudeço quando me atacam, sou classificado como fraco. E por aí vai. Esses padrões nos cercam e o que vemos como erros, na maioria das vezes não passam de coisas que fazemos que estão fora de padrões que não foram estabelecidos por nós!

Quando eu falei dos padrões, não me referi aos avisos divinos da consciência, que nos avisam dos excessos. Esses são os primeiros freios. A voz da consciência, ou voz da razão nos avisa se estamos saindo dos eixos, isto é, se estamos nos excedendo. Se esses avisos não funcionam, aí vêm os freios efetivos, que nos mostram, daí a um tempo, que o caminho que estávamos tomando não nos levam a nada. Os freios efetivos chamam-se dor e morte. Mas quando se fala de excessos, alguns padrões ajudam a não partir para esses excessos.

Por exemplo, vestir-se. Vestir-se é um padrão que teve início no frio da europa. Mas imagina se não nos vestíssemos... A zona que ia ser! Um padrão que nos ajuda a não partir para os excessos. O problema é quando se cria uma ditadura no modo de se vestir! Daí a moda criando anoréticas.

Eu me pergunto até que ponto esses padrões são bons ou ruins.

25.2.10

Padrões

Eu estava pensando em coisas pra escrever nesses dias, mas eu não cheguei a conclusões razoáveis.Eu tava querendo continuar a escrever sobre as minhas reflexões pós-COMEERJ, reflexões vindas de lá e reflexões que eu tive nos últimos dias. Não sei se vai rolar.

Ontem eu tava lendo (pela 10ª vez!) um presente da Giane, "O Encantador de serpentes", e percebi certas coisas que me chamaram atenção. O que que tem de tão importante no erro? Olha, se o erro não fosse importante, acredite, ele não existiria. Mas ele existe. E o pior de tudo: nós fugimos dele. Talvez porque estejamos acostumados a ser aprovados e desaprovados mediante padrões. Os padrões do mundo são considerados certos e a fuga dos padrões é o errado.

Ora, quem criou esses padrões? Certamente não fui eu nem tampouco você. Então por quê seguí-los? Por quê temos de abandonar sonhos muitas vezes, por conta dos padrões que não criamos? Estou pensando em muitas coisas, no que é importante pra mim, no que considero essencial pra ser feliz nesse mundo, mas os velhos padrões sempre surgem na figura de um estranho, de um colega de trabalho, de um pai, de uma mãe, que seja. E eles sempre exigem uma postura que às vezes não queremos, somente para que não fujamos dos padrões.

É tão estranho isso tudo.

Fico lembrando da obra de Huxley. Um admirável mundo onde as pessoas não nasciam, eram produzidas, onde estar dentro dos padrões é a condição única da sociedade. Não se aceitava de modo algum que pessoas pudessem seguir suas próprias vidas. Todos eram obrigados e condicionados a trabalhar de acordo com o script previamente traçado.

E pensando na obra do Huxley, chego à conclusão de que o condicionamento de que ele falava não é algo meramente ficcional, que hoje somos condicionados de forma semelhante à do admirável mundo novo. O homem não chora, o homem não erra, a mulher é frágil,  a criança é menos, o velho é inútil, o gordo é feio, o trabalho é ruim, a droga é comum, estamos presos em condicionamentos e mais condicionamentos! Será que esse é o caminho? Será que agindo de acordo com os padrões alcançaremos a tão desejada felicidade? Ou será que a velha escravidão estará presente?

Eu quero sorrir e cantar, quero encantar serpentes e ser encantado pela vida! Eu quero e eu vou!

Amigos