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17.12.25

Todas as árvores são guerreiras...

E vivem uma luta constante para obter recursos. 

Como pode? Parada, no mesmo lugar, vindo de uma simples semente, caroço, rizoma?

Como podem as árvores ficarem tão grandes? 

E as árvores urbanas? 

Muitas vezes solitárias, elas enfrentam várias adversidades. 

Então o humano vem, a mutila, a mata, impede que ela tenha descendência, com seus cimentos, serras e machados. 

Pelo motivo torpe de se enroscar nos fios que os próprio humanos colocaram, a podam. 

É poda.

13.12.19

Presente

A vida é rara. Cento e dezoito elementos foram descobertos pelo ser humano, com a possibilidade desse número crescer ao infinito, e, dentre todos esses elementos, apenas um deles possui as características necessárias para que haja vida. E não é apenas isso, há uma série de condições para que a vida aconteça: temperatura adequada, proteção contra raios cósmicos, tempo de luz, presença de nutrientes, água líquida, dentre outras. A vida é tão rara. Tão rara, tão poderosa. Dentre desse impossível que é a vida, duas pessoas quase impossíveis se uniram e deram origem a você. E você, ser quase impossível, conseguiu sobreviver até aqui e gerar vida. Essa vida, tão rara, e da qual você é portadora e criadora. O milagre da vida te pertence.

Algo tão raro tem suas consequências, seus ônus. Essas consequências, apesar de serem pesadas, são marcas da existência de um milagre. Esse milagre deve ser admirado, não temido, não desprezado. O poder de gerar vida é maravilhoso e único, e quem não admira isso não é digno de sentar ao seu lado, muito menos de tocar a vida contigo. Você merece amores plenos, amores que te puxam para cima e para frente, e não migalhas de amor. Mulher, você merece mais. Nunca, jamais, aceite esses amores vazios, amores de vai e vem, amores que não se sustentam, amores de mentira. Você merece mais. Enquanto isso, siga plena.

Entenda o que quero dizer: assuma o poder que você tem. Crie beleza, crie riqueza, crie amor. Você tem o poder nas suas mãos, poderosa criadora de vida.

Fonte da imagem: Instagram.com/elsolquemefalta


15.9.15

O que aprendi sobre aquilo...

Hoje fazem cinco anos que perdi a virgindade. 

Eu aprendi algumas coisas nesse tempo. Sim, foi aos 22 anos, e isso não é nenhuma vergonha. Sou homem, heterossexual, urbano e esperei pelo momento certo, a pressa é tão desnecessária. Foi um momento lindo, de muito amor entre ambos, com muito respeito e afinidade.

Aprendi também que o Eu Resolvi Esperar funciona, mas apenas se o casal se tornar cúmplice e forem curiosos um com o outro. Sexo se aprende fazendo. E uma das maiores fontes de crise e divórcio no casamento, nos anos iniciais, é falta de entrosamento na cama. Tem que ser curioso e buscar conhecer o próprio corpo e o corpo do marido ou da esposa, sempre com muito respeito.

Aprendi que as pessoas podem ser cruéis com o nerd, com o aleijado, com a esquelética e com a gorda, mas que no fim, todos são lindos e desejados, e é possível sim ser feliz no amor e no sexo, independente da sua aparência estar fora dos padrões atuais de beleza (como 99% dos seres humanos). 

Aprendi que acima de tudo, o respeito é fundamental. E não só respeito com o outro, mas respeito consigo mesmo. Uso de preservativo é obrigatório, principalmente quando não se conhece a pessoa muito bem. Inclusive no sexo oral. Dei muita sorte, mas conheci pessoas que não deram tanta sorte assim... Uma pena, pessoas lindas, que diziam "isso nunca vai acontecer comigo" ficando doentes. 

Aprendi que a quantidade é importante, mas não tanto quanto a qualidade.

Aprendi que no fim das contas, o amor é o ingrediente secreto, sem ele, o sexo se restringe a um "risquinho na frente" e/ou um "furinho atrás", sem sabor, é como se está com sede, e se bebe água do mar. Quanto mais se bebe, mais sede se tem. 

Aprendi, por fim, que o sexo não é pecado, como muitos pensam, mas sim a celebração da vida. A partir dele as grandes obras foram realizadas e os grandes nomes da humanidade foram concebidos. 

Então, que celebremos a vida!

4.11.13

A vida..

Chego em casa, pego roupas limpas no guarda roupa, dispo-me e ligo o chuveiro elétrico numa temperatura adequada. Tomo um banho que limpa o corpo e o torna cheiroso. Visto a roupa limpa e guardo a roupa suja num cesto. Vou à cozinha, abro um pacote de sucrilhos coloco num  copo, adiciono leite em pó e água, e misturo até obter o ponto ideal. Cereais levemente crocantes e adocicados. Essa é a refeição da noite, e eu olho o armário e a geladeira para ver o que falta para comprar e planejo comprar o que falta no dia seguinte. O valor do que vou comprar não representa 10% do valor que recebo mensalmente.

Enquanto isso, a menos de um quilômetro daqui, o jovem Kauã, de cerca de 28 anos (não muito mais velho do que eu), está procurando um carro para guardar. As roupas são as mesmas há dias, e estão imundas, assim como seu corpo. Ele sabe que não vai comer nada nessa noite, e a sua próxima refeição irá depender da caridade de alguém que ele "pescar" na rua.. Ou possivelmente num restaurante popular. Esse jovem errou desastrosamente, e hoje vive um dia de cada vez, até prescrever sua pena. Fugido, teme retornar ao seu estado e ser torturado e possivelmente morto por seus antigos inimigos. Assim como ele, há inúmeros homens e mulheres passando pela mesma situação.

Ontem passei duas horas com esse rapaz. Eu fui "pescado", e levei ele pra almoçar. Não sei como, mas entramos no shopping e fomos almoçar na Parmê. Era uma cena interessante, eu andando de chapéu e chinelos com um jovem todo sujo do meu lado, pra cima e pra baixo.. O encontro entre a minha classe social e a dele me fez pensar sobre muitas coisas, e por isso escrevo esse texto. Em primeiro lugar, me chamou a atenção ele ver tudo como se não visse há muito tempo. Ver as novas tecnologias tão de perto, tecnologias nunca antes vistas,  e traçar planos de furto, e que certamente seriam impedidos pela segurança. Mas acho que ele só tava se gabando.. 

Ele não estava habituado àquele ambiente, e quase jogou seu lixo no chão algumas vezes. Quando passávamos à frente de uma lixeira, ele queria comer o que encontrava por cima.. E as pessoas pareciam ignorar aquele rapaz. Não sei o que pensavam, mas parecia que o viam como qualquer coisa, e não notavam que ele era um morador de rua, alguém fora daquele ambiente. Engraçado como o lugar comum é não notar quem está ali, e apenas ver uma massa de carne se movimentando. Ele notava tudo, a expressão das pessoas, a forma como as pessoas eram prepotentes e como algumas notavam sua condição e ficavam olhando pra ele de cara feia.. 

Outra coisa notável era o incômodo do rapaz naquele ambiente.. Notei que ele queria que acabasse logo aquele encontro, pra que ele pudesse sair dali.. Era difícil pra ele permanecer naquele lugar, pois ali ele não se sentia seguro. Tinha medo de ser expulso pelos seguranças, tinha medo de querer furtar alguma coisa e tinha medo dos olhares maldosos de quem o notava. Tinha medo que eu o convencesse a se entregar às autoridades.. Foi um encontro bem difícil pra ele, e um tanto proveitoso para mim. Pude notar a nossa vida e a maneira que a gente desperdiça coisas valiosas. 

A água que bebemos, a comida que comemos, a roupa limpa que vestimos, a cama confortável que nos deitamos todas as noites, a nossa capacidade de se proteger do frio ou do calor, de acordo com a ocasião. Podemos nos distrair com uma boa música, com um bom filme, com uma peça de teatro.. Temos a possibilidade de encontrar alguém especial para construirmos nossas vidas, mas.. O que espera um rapaz fugido, fora do seu estado, sem documentos, e que mora na rua? Que vivências ele estará passando nesse minuto? Que vivências o aguardam? 

Valorize o que tem. Não quero dizer com isso pra nos apegarmos aos bens materiais, o que inclusive vai contra meus princípios, mas que valorizemos o que temos. Não estou dizendo também que não devamos compartilhar esses bens, dentro de nossas possibilidades, devemos compartilhar o que temos, pois isso é uma lei natural da vida. Vivemos por algum motivo, e pelo que vejo, esse motivo é ser útil. Contribuir para o bem estar social e material do mundo que vivemos, das pessoas que nos cercam. 

Quanto mais nos desprendemos dos nossos velhos valores morais, mais nos aproximamos da paz no coração. "E a paz no coração, no meio das dificuldades da vida, não será felicidade?" Há tanta vida pra viver lá fora.. =).








31.12.12

Novo?

O que dizer nesse ano que se inicia? Que desejo melhorias, que desejo que vocês sejam abençoados ou que esse ano seja só de vitórias? Pera lá, vamos ser realistas. A vida segue um curso natural, um novo ano é só o começo de um novo ciclo de rotação do nosso planetinha em torno do nosso solzinho. De que adianta encher-mo-nos de esperança só pelo começo de um fenômeno natural que ocorre sempre, e sempre, e que, na verdade, tecnicamente, inicia todo dia?... É tudo uma grande ilusão, a quem estamos tentando enganar?

A gente tá esquecendo de uma coisa. Escolhemos esse dia por um único motivo: foi no ano zero que se diz que Jesus veio ao mundo... A esperança está nisso. Quando se encara Jesus com desdém, se vê apenas um legislador moralista, ou um enganador dos homens. Quando se encara Jesus apenas racionalmente, o que se vê são apenas ensinamentos comuns. Mas quando se mergulha de corpo e alma nos seus ensinamentos, quando se aplica o que o Mestre disse na vida, tudo ganha maior expressão e sua inteligência se manifesta de modo único e se percebe que os ensinamentos dele têm vida própria e que vivendo-os, seremos felizes. 

Bom, Jesus disse uma coisa que será minha mensagem de fim de ano. Tudo estava ainda relativamente calmo na Palestina e Jesus estava no lago de Genesaré. Ele subiu no alto de um pequeno monte e começou a falar pra uma pequena multidão que estava ouvindo, atenta. Ele iniciou o Sermão da Montanha, que segundo Gandhi, Kardec, e outros, encerra toda a moral de que necessitamos. Uma das coisas que ele disse nessa tarde quente foi um norteador:

"Pedi, e dar-se-vos-á; buscai, e encontrareis; batei, e abrir-se-vos-á. Porque, aquele que pede, recebe; e, o que busca, encontra; e, ao que bate, a porta se abrirá. E qual de entre vós é o homem que, pedindo-lhe pão o seu filho, lhe dará uma pedra? E, pedindo-lhe peixe, lhe dará uma serpente? Se vós, pois, sendo maus, sabeis dar boas coisas aos vossos filhos, quanto mais vosso Pai, que está nos céus, dará bens aos que lhe pedirem? Portanto, tudo o que vós quereis que os homens vos façam, fazei-lho também vós, porque esta é a lei e os profetas."
Mateus 7; 7-12 

Nessas palavras ele nos traz a ideia do valor do trabalho. Como queremos um ano novo se não nos tornamos homens novos? De verdade, que esse ano seja de renovação. Não adianta nada eu desejar um ano de grandes realizações, se na vida cotidiana nós não nos levantarmos e irmos à luta! Vamos nessa! Essa música fala disso: E vamos à luta!

Bom 2013 a todos!

17.7.12

Direto de direita

Saudade
Saudade é solidão acompanhada,
é quando o amor ainda não foi embora,
mas o amado já…
Saudade é amar um passado que ainda não passou,
é recusar um presente que nos machuca,
é não ver o futuro que nos convida…
Saudade é sentir que existe o que não existe mais…
Saudade é o inferno dos que perderam,
é a dor dos que ficaram para trás,
é o gosto de morte na boca dos que continuam…
Só uma pessoa no mundo deseja sentir saudade:
aquela que nunca amou.
E esse é o maior dos sofrimentos:
não ter por quem sentir saudades,
passar pela vida e não viver.
O maior dos sofrimentos é nunca ter sofrido.

18.8.11

Mesmo assim


“As pessoas são irracionais, ilógicas e egocêntricas. Ame-as mesmo assim.

Se você tem sucesso em suas realizações, ganhará falsos amigos e verdadeiros inimigos. Tenha sucesso mesmo assim.

O bem que você faz será esquecido amanhã. Faça o bem mesmo assim.

A honestidade e a franqueza o tornam vulnerável. Seja honesto mesmo assim.

Aquilo que você levou anos para construir, pode ser destruído de um dia para o outro. Construa mesmo assim.

Os pobres têm verdadeiramente necessidade de ajuda, mas alguns deles podem atacá-lo se você os ajudar.
Ajude-os mesmo assim.

Se você der ao mundo e aos outros o melhor de si mesmo, você corre o risco de se machucar. Dê o que você tem de melhor mesmo assim.”

Madre Teresa de Calcutá

15.4.11

Carentes

As pessoas estão carentes de amor. Saia na rua, olhe nos olhos das pessoas, e verá a carência quando te fitarem com esperança na rua. As boates estão cheias, os bares também, em todo lugar, pessoas procuram amor, procuram companheirismo. Amor é companheirismo... Antes eu achava que amor era uma afeição muito grande, mas não! Amor é companheirismo! As pessoas precisam de alguém que esteja ao lado delas, dando segurança. 

O que fazer num mundo onde todos estamos carentes de amor? Me deram a resposta, e estou tentando. Devemos buscar a afeição sem interesse, através da amizade, que se tornará amor num futuro. Todos nós somos carentes de amor, mas também todos nós somos credores do amor. Precisamos amar mais, para que o amor se faça presente nas nossas vidas. Ninguém liga pra você? Ligue para as pessoas... As pessoas te procuram por interesse? Procure as pessoas sem interesse... As pessoas não te amam, afinal? Então ame as pessoas!

"Todo dia de manhã é nostalgia das besteiras que fizemos ontem..." Fernando Anitelli

18.1.11

É Razoável Pensar Nisto

A paciência não é um vitral gracioso para as suas horas de lazer. É amparo destinado aos obstáculos.

A serenidade não é jardim para os seus dias dourados. É suprimento de paz para as decepções de seu caminho. 

A calma não é harmonioso violino para as suas conversações agradáveis. É valor substancial para os seus entendimentos difíceis.
 
A tolerância não é saboroso vinho para os seus minutos de camaradagem. É porta valiosa para que você demonstre boavontade, ante os companheiros menos evolvidos.

A boa cooperação não é processo fácil de receber concurso alheio. É o meio de você ajudar ao companheiro que necessita.
 
A confiança não é um néctar para as suas noites de prata. É refúgio certo para as ocasiões de tormenta.
 
O otimismo não constitui poltrona preguiçosa para os seus crepúsculos de anil. É manancial de forças para os seus dias de luta.
 
A resistência não é adorno verbalista. É sustento de sua fé.
 
A esperança não é genuflexório de simples contemplação. É energia para as realizações elevadas que competem ao seu espírito.
 
Virtude não é flor ornamental. É fruto abençoado do esforço próprio que você deve usar e engrandecer no momento oportuno. 

André Luiz

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Estou de mudança, Mas essa mensagem vai comigo pras minhas novas responsabilidades que virão. Como se diz? Tá na hora de vagabundo crescer...

7.1.11

Feridas

"Maurício disse carinhosamente:
—Tudo passa, menina Patrícia. O tempo cura feridas.
—Mas deixa cicatrizes — respondi."

Patrícia, no livro 'Violetas na Janela'

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Eu sempre pensei o que eu responderia pra Patrícia se eu fosse o Maurício, desde que eu li o livro, lá pelos idos de 2005... E nunca consegui encontrar uma resposta que fosse satisfatória. Maurício respondeu que 'cicatrizes não doem', mas isso não havia me satisfazido à época e até hoje não me satisfaz.

A vida ensina muito, e hoje eu tenho uma resposta que faz o maior sentido pra mim. Histórias que eu passei, histórias que eu vi, me ensinaram que quando se fala de feridas, temos duas alternativas: ou olhamos pras cicatrizes e  lembramos da dor que um dia passamos, revivendo o sofrimento de antes; ou olhamos as cicatrizes, e, ignorando-a, vivemos nossas vidas, olhando pra frente e prosseguindo.

Assim, se a Patrícia me falasse que as feridas deixam cicatrizes, eu responderia isso. Você escolhe qual caminho vai seguir. Olhar pra cicatriz, revivendo a dor e sofrendo-a de novo, ou então olhar pra frente e seguir.

29.12.10

Natal

"Jesus não veio além do horizonte azul para fazer da dor o símbolo da vida, mas para fazer da vida o símbolo da verdade e da liberdade. Jesus não veio ensinar aos homens a elevar igrejas suntuosas ao lado de casebres miseráveis e de habitações frias e escuras, mas veio para fazer do coração do homem um templo, e de sua alma um altar, e de sua mente um sacerdote."
(Khalil Gibran)

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Tem noção da grandeza dessa frase acima? Da primeira?

1.11.10

O amor

"O amor é substância criadora e mantenedora do Universo, constituído por essência divina. É um tesouro que, quanto mais se divide, mais se multiplica, e se enriquece à medida que se reparte. Mais se agiganta, na razão que mais se doa. Fixa-se com mais poder, quanto mais se irradia. Nunca perece, porque não se entibia nem se enfraquece, desde que sua força reside no ato mesmo de doar-se, de tornar-se vida. Assim como o ar é indispensável para a existência orgânica, o amor é o oxigênio para a alma, sem o qual a mesma se enfraquece e perde o sentido de viver." Joanna de Ângelis

O amor tem essa característica impressionante! Hoje mais cedo passei por uma senhora com quem dividi chocolate um dia (era Cacau Show... haja amor pra compartilhar um Cacau Show! haha) e me lembrei que eu nunca havia falado com essa senhora antes e o chocolate que dividi com ela ficou inesquecível na memória dessa mulher. Pra constar, essa senhora é toda torta, tem uma cifose braba e por viver sozinha e sem tratamento, essa senhora é agressiva, fala sozinha e enfim, é uma pessoa complicada. Enquanto todos os outros ignoram essa mulher, eu procuro cumprimentá-la e dar o melhor pra ela (Cacau Show, por exemplo... rs) e eu acho engraçado que desde o episódio do chocolate, essa senhora me trata com certa simpatia.

"Muitas vezes basta ser colo que acolhe, braço que envolve, palavra que conforta, silêncio que respeita, alegria que contagia, lágrima que corre, olhar que acaricia, desejo que sacia, amor que promove. E isso não é coisa de outro mundo, é o que dá sentido à vida", e eu concordo muito com essa frase. Afinal, amar nem sempre é mover mundos por alguém, mas é principalmente se preocupar com mínimos detalhes, como o sorriso que aquela senhora deu quando compartilhamos um doce. O Amor é o sentimento mais forte que há e o ser humano mais forte é aquele que mais ama.

É algo que irradia e todos os que estão em volta do ser humano que ama sentem esse sentimento e são agraciados pela beleza que esse sentimento traz consigo. Como diz a Joanna, o amor não se entibia, porque sua força está no ato de tornar-se vida... E ele torna-se vida incessantemente. Se você ama (eu disse ama e não deseja), agradeça sempre por ser forte e conseguir amar. E se você não ama, eu recomendo severamente... Porque quem ama felicita e felicita-se. Quando se compreende que o amor é o que mantém a coesão do Universo, nos sentimos imersos no amor divino, porque entendemos que se estamos vivos, aprendendo, evoluindo, amando, sentindo, felizes ou tristes, enfim, é por causa do infinito amor que nos cerca, que os materialistas chamariam de Natureza e nós espiritualistas chamamos de Deus.

15.6.10

Apego

Não sou só eu que preciso me desapegar. Então, vai pra todo mundo que tem precisado disso. Anjos, laticínios e outras pessoas prestem atenção.

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Mês passado conheci alguém que se apegou a mim. Finalmente eu descobri o que significa estar do outro lado. Ser o objeto amado, ser alguém por quem outro ser morreria. E foi complicado aceitar que eu não tinha o mesmo amor que essa pessoa tinha comigo. Aceitar que no fim de tudo, se não houver o sim do outro, nossos sonhos utópicos não vão se concretizar. Porque ela não tinha o meu sim. E ela desistiu de mim. 

Imagina você tentar se aproximar sempre de uma pessoa e essa pessoa se afastar de você? Imagina você querer sempre estar perto dessa pessoa que se afasta sempre de você? Querer estar perto, mas saber não ser possível que tal acontecimento se dê? Imagina você sempre estar pensando na pessoa querida e esse pensar atrapalhar seus estudos, suas atividades de um modo geral. Imagina saber, lá no fundo, que no fim das contas estar com determinada pessoa é tudo o que você quer?

Se por acaso você sabe o que significa apenas uma das perguntas acima, não pense que é uma coisa boa o que sente. Esse sentimento é o apego. 

O apego é uma das coisas que mais nos atrelam. Atrelar-se significa estar preso, ou seja, sem liberdade. E olha, ninguém é feliz se não tiver liberdade! Há inúmeras possibilidades nessa vida, e dentro dessas possibilidades há a realização das nossas pretensões. Mas quando tornamos a satisfação das nossas pretensões o ponto máximo de nosso trabalho, uma obsessão, tornamo-nos joguete dos fatos. 

A gente sempre tem a impressão que temos o controle das coisas. O problema é que não temos esse controle. E quando o nosso objeto de desejo nos ignora e sai da nossa vista, qual a sensação? Uma dor indescritível, que só quem amou muito e teve seu carinho se afastando sabe qual dor é essa. Eu já passei por maus bocados por conta desse apego. Quem tiver interesse, leia a segunda postagem desse blog.

O apego é algo realmente triste. Uma vez, Poiel me disse que quando leu minhas postagens, ela chegou a sentir um tanto de pena por mim. Essa pena surgiu por causa da minha tristeza, e essa minha tristeza surgiu por causa do apego. Quanto mais apegado, mais infeliz sem o objeto de apego... Não se apeguem! Amem, mas não se apeguem.

Lembrei de uns versos do Gibran. Acho que ele resume muito bem o que eu quero dizer:
"Nascestes juntos, e juntos ficareis para sempre.
Estareis juntos quando as asas brancas da morte acabarem com os vossos dias.
Ah, estareis juntos mesmo na memória silenciosa de Deus.
Mas que haja espaços na vossa união e que os ventos celestiais possam
dançar entre vós.
Amai-vos um ao outro, mas não façais do amor uma prisão;
Deixai antes que seja um mar ondulante entre as margens das vossas almas.
Enchei a taça um do outro mas não bebais de uma só taça.
Parti o vosso pão ao meio mas não comais do mesmo pão.
Cantai e dançai juntos, mas deixai que cada um de vós fique sozinho.
Como as cordas de uma lira estão sozinhas embora vibrem ao som da mesma
música.
Entregai os vossos corações mas não ao cuidado um do outro.
Pois só a mão da Vida pode conter os vossos corações.
E ficai juntos mas não demasiado juntos:
Pois os pilares do templo estão afastados, e o carvalho e o cipreste não
crescem à sombra um do outro.
"
Então, espero que essa postagem faça bem a todos. =)

7.6.10

Vivência

"Enquanto o espírito do homem se engolfa apenas em cálculos e raciocínios, o Evangelho de Jesus não lhe parece mais que repositório de ensinamentos comuns; mas, quando se lhe despertam os sentimentos superiores, verifica que as lições do Mestre têm vida própria e revelam expressões desconhecidas da sua Inteligência, à medida que se esforça na edificação de si mesmo, como ensinamento do Pai." 
Narcisa, no livro Os Mensageiros, de André Luiz (psic. por Francisco C. Xavier)
Faz um tempo que eu costumava me engolfar em cálculos e raciocínios. Os ensinos de Jesus ficavam tão distantes da aplicação, justamente porque eu ainda via esses ensinamentos como ensinamentos comuns. Não via que cada palavra, cada frase de Jesus está inundada de luz que nos dá a segurança necessária pra seguir o caminho. Via Jesus como um homem comum, que para ajudar seu povo, quebrou todos os paradigmas da sua época, visando um bem maior. Jesus foi pelos caminhos do ahimsa, da não-violência, mostrar que o julgo romano podia ser superado. Exatamente como Gandhi fez sob o julgo inglês.

No entanto, a vida sempre nos ensina muitas coisas e eu aprendi que na verdade, o que aconteceu foi que Jesus, por amor à verdade, morreu na cruz, para nos mostrar que a vida é muito mais do que bens materiais ou a presença de pessoas queridas por perto. Ele mostrou, com seus exemplos e ensinamentos, que há algo muito maior envolvido no fenômeno da vida. Ele trouxe um significado, um porquê para a vida que o materialismo não possui, independente da escola.

E tudo que ele passou veio cheio de significado. E hoje minha vivência religiosa melhorou bastante. Continuo o mesmo cético de antes, só acredito naquilo que me provam por a mais b, mas eu sinto e converso com a Divindade praticamente o dia todo. É como uma oração sem fim. Minha vivência religiosa deixou de ser mística e passou a ser racional. E por ser racional ela é constante. Eu não preciso de rituais, templos, sacerdotes, nada disso. Só preciso pensar.

Em breve vou começar uma série de postagens utilizando os evangelhos e aplicando na nossa vida. Vai ser legal.

23.5.10

Vilarejo

comp:  Marisa Monte, Pedro Baby, Carlinhos Brown e Arnaldo Antunes

Há um vilarejo ali
Onde areja um vento bom
Na varanda, quem descansa
Vê o horizonte deitar no chão

Pra acalmar o coração
Lá o mundo tem razão
Terra de heróis, lares de mãe
Paraiso se mudou para lá

 Por cima das casas, cal
Frutas em qualquer quintal
Peitos fartos, filhos fortes
Sonho semeando o mundo real

Toda gente cabe lá
Palestina, Shangri-lá
Vem andar e voa
Vem andar e voa
Vem andar e voa

Lá o tempo espera
Lá é primavera
Portas e janelas ficam sempre abertas
Pra sorte entrar

Em todas as mesas, pão
Flores enfeitando
Os caminhos, os vestidos, os destinos
E essa canção

Tem um verdadeiro amor
Para quando você for

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Onde fica esse vilarejo?

17.5.10

Desejos

Desejos são como pássaros intrujões que se alojam em nosso peito, sem se importar com consequências e sem se importar com nossa vontade. Porque desejo é diferente de vontade. A vontade é algo constante, enquanto que o desejo é ocasional. Pássaros sim, e migratórios, porque eles duram apenas num lapso, que pode durar segundos, horas, dias, semanas, anos, mas que um dia cessa. E quando eles se vão, podem deixar marcas, ou não. Podem ser algo que por mais que o tempo passe, retorna em algum momento e podem ser algo que cessa abruptamente e nunca mais volte.

Ai, ai, desejos... Chocolate, beijo na boca, minutas, água, comida. Desejos são coisas inevitáveis. Agora o que fico pensando é o que fazemos com nossos desejos. Colocamos eles em caixas lacradas? Permitimos que eles se tornem corcéis loucos? Fazemos deles o foco central de nossas vidas? Ignoramos que eles existem? O que fazemos com nossos desejos?

Particularmente, eu costumo fazer muito das perguntas acima. Eu tenho desejos que não gostaria de ter, tenho desejos que gostaria de nunca ter tido, tenho desejos que me atrapalham, tenho desejos que gostaria de desejar, tenho desejos de coisas que nunca vou obter e outros desejos que me permito ter. E então eu me pergunto quais desses desejo são frutos de imposições sociais e quais realmente eu tenho.

Porque pode não parecer, mas o chocolate que a tia dava quando fazíamos o que ela nos pedia agora se transformou em outra coisa e agimos de olho em alguma recompensa. Convenções sociais podem sim determinar que desejos nós teremos. Quem disse que precisamos namorar pra ser feliz? Quem disse que pra ser feliz nós temos que ter um excelente emprego, carrões, celulares, e muito dinheiro? Quem disse? A sociedade disse. E a partir disso, nós temos esses desejos.

Conhecer-se é fundamental pra que a gente saiba até onde vai nossos desejos e onde começa os desejos da sociedade. Essa a grande epifania que havia dito. Epifania pode ser definida como uma compreensão súbita de uma grande verdade. Desde que eu descobri isso, tudo ficou mais fácil pra mim aceitar. E isso me deixou feliz. Mas essa melhora no aceitar levou a uma certa insatisfação, mas enfim, são coisas da vida.

Eu tava com saudade de escrever assim sem compromisso de ter uma mensagem. Só estou pondo pra fora alguns sentimentos. É, tá bom.

12.4.10

Mentes criminosas...

Eu sei que eu disse que não ia postar durante um tempo, mas os fatos de hoje mudaram radicalmente minha decisão...

O ônibus o qual eu estava voltando pra casa foi assaltado hoje (ontem). 

Contando a história: havia um homem na fila, vestindo social, com uma bolsa pequena, tipo uma agenda, ou bíblia, que conversava comigo enquanto esperávamos o ônibus. Trocamos comentários e comi um pouco de amendoim que ele me ofereceu. Fizemos uma certa amizade, coisa de segundos, mas foi uma conversa interessante.

Entramos no ônibus sentei num banco e o cara de social foi pra trás. Como de costume, dormi. Acordei com uma confusão entre o cara de social e o homem que sentava do meu lado. E vi a arma na mão do cara de social. Percebi que ele estava a assaltar o ônibus, mas ele não me assaltou... Ele só pegou os celulares caros e de algumas pessoas. 

Eu gostaria de entender essas mentes criminosas. Engraçado que ele estava a altos papos comigo e observando as pessoas na fila com celulares caros. O que se passa na cabeça de um homem daqueles? 
Quando ele desceu do ônibus (nas proximidades da Nova Holanda), eu pensei só uma coisa: 'Deus querido, esse homem é um pobre coitado... Que o Sr ilumine os caminhos dele...' 

Interessante que a mente criminosa não escolhe ser humano. Independente da aparência, do estado social, da raça, da religião, a mente criminosa pode surgir em qualquer parte. 

Os comentários feitos após o assalto no ônibus. Todos criminosos. 

'Gravei o rosto dele, na próxima vez sento ele de porrada', 'A sorte é que ele não me viu',  'Gente assim tem que 'passar' logo, assim eles aprendem', 'Ele é da Nova Holanda', repetidos aqui e ali. É, a mente criminosa não escolhe ser humano...

Fico pensando: caramba, ele é um ser humano, como eu e você! Pra quê tanto ódio? Caramba, ele não te viu? Mas ele viu outras pessoas. Pra quê tanta indiferença? Ele é de uma comunidade carente? Pra quê tanto preconceito social?

O quê fazer pra melhorar isso? Apenas reclamar?

2.3.10

Padrões 2

Resolvendo uma pendenga filosófica com um laticínio amigo meu.

O erro é a coisa mais comum do mundo inteiro. Somos imperfeitos, isso é fato, independende da nossa crença, todos sabemos disso. Mas aí é que tá: se um cego esbarra na gente na rua, compreendemos e até ajudamos o cego, mas se alguém que enxerga esbarra na gente, dizemos: vá lá! Tá me vendo não?!

Numa análise mais profunda e figurada, somos todos cegos que tem o direito de esbarrar nos outros. Errar é característica humana, e por errar é que o homem consegue aprender e evoluir.

Um bolo ruim é pretexto pra se melhorar o bolo. Um trabalho mal feito é pretexto para se melhorar o trabalho. O que nos separa do que somos do que queremos ser é a frustração. Então é sempre assim: aspiração, erro, frustração, progresso. Essa é uma das formas da dor operando renovação. Dói errar, porque dói a frutração. E considerando que a maioria de nós somos orgulhosos, não conseguir uma determinada posição, status, é  algo que machuca bastante.

Mas aí é que entra a questão. Quando se fala de produtos eles tem que seguir padrões. Assim, existem as ISOs. ISO 9000, ISO 14000, etc. Quando um produto não está dentro das normas, ele é descartado. Da mesma maneira como se faz com produtos, foram criados padrões e normas de  comportamento. A pessoa que não segue esses padrões é excluída. Isso existe em qualquer cultura, em qualquer sociedade que já foi vista até hoje.

Assim, se eu não bebo eu sou excluído do grupo de pessoas que bebem. Se eu não guardo rancores, eu sou classificado como um bobo, se eu emudeço quando me atacam, sou classificado como fraco. E por aí vai. Esses padrões nos cercam e o que vemos como erros, na maioria das vezes não passam de coisas que fazemos que estão fora de padrões que não foram estabelecidos por nós!

Quando eu falei dos padrões, não me referi aos avisos divinos da consciência, que nos avisam dos excessos. Esses são os primeiros freios. A voz da consciência, ou voz da razão nos avisa se estamos saindo dos eixos, isto é, se estamos nos excedendo. Se esses avisos não funcionam, aí vêm os freios efetivos, que nos mostram, daí a um tempo, que o caminho que estávamos tomando não nos levam a nada. Os freios efetivos chamam-se dor e morte. Mas quando se fala de excessos, alguns padrões ajudam a não partir para esses excessos.

Por exemplo, vestir-se. Vestir-se é um padrão que teve início no frio da europa. Mas imagina se não nos vestíssemos... A zona que ia ser! Um padrão que nos ajuda a não partir para os excessos. O problema é quando se cria uma ditadura no modo de se vestir! Daí a moda criando anoréticas.

Eu me pergunto até que ponto esses padrões são bons ou ruins.

25.2.10

Padrões

Eu estava pensando em coisas pra escrever nesses dias, mas eu não cheguei a conclusões razoáveis.Eu tava querendo continuar a escrever sobre as minhas reflexões pós-COMEERJ, reflexões vindas de lá e reflexões que eu tive nos últimos dias. Não sei se vai rolar.

Ontem eu tava lendo (pela 10ª vez!) um presente da Giane, "O Encantador de serpentes", e percebi certas coisas que me chamaram atenção. O que que tem de tão importante no erro? Olha, se o erro não fosse importante, acredite, ele não existiria. Mas ele existe. E o pior de tudo: nós fugimos dele. Talvez porque estejamos acostumados a ser aprovados e desaprovados mediante padrões. Os padrões do mundo são considerados certos e a fuga dos padrões é o errado.

Ora, quem criou esses padrões? Certamente não fui eu nem tampouco você. Então por quê seguí-los? Por quê temos de abandonar sonhos muitas vezes, por conta dos padrões que não criamos? Estou pensando em muitas coisas, no que é importante pra mim, no que considero essencial pra ser feliz nesse mundo, mas os velhos padrões sempre surgem na figura de um estranho, de um colega de trabalho, de um pai, de uma mãe, que seja. E eles sempre exigem uma postura que às vezes não queremos, somente para que não fujamos dos padrões.

É tão estranho isso tudo.

Fico lembrando da obra de Huxley. Um admirável mundo onde as pessoas não nasciam, eram produzidas, onde estar dentro dos padrões é a condição única da sociedade. Não se aceitava de modo algum que pessoas pudessem seguir suas próprias vidas. Todos eram obrigados e condicionados a trabalhar de acordo com o script previamente traçado.

E pensando na obra do Huxley, chego à conclusão de que o condicionamento de que ele falava não é algo meramente ficcional, que hoje somos condicionados de forma semelhante à do admirável mundo novo. O homem não chora, o homem não erra, a mulher é frágil,  a criança é menos, o velho é inútil, o gordo é feio, o trabalho é ruim, a droga é comum, estamos presos em condicionamentos e mais condicionamentos! Será que esse é o caminho? Será que agindo de acordo com os padrões alcançaremos a tão desejada felicidade? Ou será que a velha escravidão estará presente?

Eu quero sorrir e cantar, quero encantar serpentes e ser encantado pela vida! Eu quero e eu vou!

22.2.10

Casulos e armaduras

"Como posso alcançar o desconhecido, se ao conhecido me apego?"

Voltei da COMEERJ com essa frase na cabeça, e uma semana depois ainda mantenho ela aqui, o que é muito bom.

Alguém falou que éramos altamente privilegiados por estarmos naquele encontro, que nos traz tantas reflexões e até mesmo sabedoria vinda dessas reflexões. Algumas pessoas me acham sábio, apesar de eu não ser. Acho que se há alguma sabedoria em mim, é devida às reflexões que começam desse encontro anual, no período de carnaval. A COMEERJ é o começo da busca investigativa, que desvenda a mim mesmo, me fazendo me ver nu, sem a armadura da personalidade, sendo mais eu.

E é justamente dessa armadura que eu quero escrever hoje.

Depois da COMEERJ, eu mudei minha percepção com relação às coisas e às pessoas, e agora que eu sei que o que vemos das pessoas não é quem elas são, mas sim uma armadura de orgulho, mesquinharia, indecisão, preconceito, uma segunda natureza, que nada tem a ver com a realidade de cada um. O que nós somos não é o que aparece, e sim, algo invisível e maravilhosamente belo. Não vemos o que há de verdadeiramente belo nas pessoas, mas acho que agora estou conseguindo enxergar melhor.

A armadura do orgulho, por ser a nossa segunda natureza, nós nos iludimos e achamos que nunca mudaremos, que seremos sempre lagartas, feias, lentas e limitadas. Mal percebemos que estamos num casulo e que a qualquer momento seremos borboletas. 

Aí entra a lei de evolução. Muitos ainda estão na fase de lagarta, outros, começando a construir o casulo, e outros ainda estão se metamorfoseando lá dentro. Alguns, raros, estão rompendo a casca e começando a entrever a luz. Eu não sei ao certo em que fase estou. Por vezes, me sinto lagarta. Na maioria das vezes, construindo o casulo, mas eu gosto de acreditar que estou me metamorfoseando. No entanto, às vezes eu me sinto como se estivesse entrevendo a luz, pelo furo do casulo. 

Olho pra luz e tenho medo. Vejo as coisas e as pessoas lá fora e penso "será que lá fora será melhor?" E penso em tudo que aprendi, todos os preconceitos e velhos valores do mundo, e tenho medo de encarar a nova realidade da vida, onde tudo tem mais cor, onde a liberdade é a lei e o amor o lema. Flores, flores e mais flores me aguardam, mas prefiro calar e não empreendo o esforço necessário para sair do casulo. O que me impede? Por que não simplesmente sair e conhecer? 

A resposta: "me apego ao conhecido".

Os velhos valores são o que eu tenho, me apegar a eles parece o melhor caminho. A porta larga de que falou Jesus. É mais fácil se acomodar no passado, afinal, na acomodação o orgulho não é ferido, o egoísmo pode continuar existindo e todos os vícios continuarão lá. Acomodação. Escravidão. Continuamos infelizes e nos martirizando por coisas que fazemos e pensamos, ou então buscando nos prazeres fugidios, nos 18 segundos de um orgasmo, no tempo do efeito da droga, procuramos algo que não sabemos o que é, e continuamos a procura até nos cansarmos do casulo e tomarmos a decisão: "eu quero". 

Nessas horas, quando a gente se dá conta de que não dá mais, preferimos a porta estreita, e num esforço que dói, machuca, num processo lento, e pensamos que voltar pro casulo é a melhor opção, só que  não dá mais pra continuar lá dentro, há um mundo a desvendar, há mistérios para sondar, há muito o que descobrir! Então nós vamos, quando descobrimos que o junto ao casulo há a armadura que impede que quem nos ama nos conheçam e impede que nós mesmos nos conheçamos. 

Vemos que a única maneira de preservar o que nós somos é abandonar a armadura e sair do casulo. E é isso que eu pretendo fazer.

Desapegar-me do conhecido e ir além.

Amigos